
Regresso a casa pela serra e,
aos poucos,
deixo-me envolver pelo inebriante perfume das estevas.
Subitamente,
sou arrancado ao silêncio
e à tepidez envolvente do seu abraço,
pelo canto melodioso e pungente das nascentes que,
aqui e ali,
ignorando a minha inoportuna presença e
julgando-se sós,
cantam com voz cristalina o segredo dos rios
e a desventura das correntes que,
crédulas,
se deixaram seduzir pelas suaves e lânguidas carícias da chuva e,
mais tarde,
receberam com prazer as suas lascivas e progressivamente vertiginosas investidas
e se deixaram fecundar.
Abandonadas,
correm agora,
prenhes e desvairadas
inundando o cimento das cidades,
apagando sombras e pegadas
e arrastando sonhos e o voo das andorinhas,
que inutilmente tentam manter-se à tona.
Recuso ouvir mais
e ligo o rádio
na esperança de afogar o pesadelo.
tina
3 comentários:
Quero mais!!!
Olá amiga
Vejo que continuas a escrever coisas muito interessantes e profundas.
Beijos
Nuno Garção
:)
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