
... e, por isso, o meu acordar foi manso.
O interior das pálpebras teimosamente cerradas, a tela onde uma e outra vez fui deixando que a projecção se repetisse, revivendo cada uma das frames vividamente.
Agora, o cenário do nosso encontro dissolveu-se nas horas passadas e, por isso, a memória é já incapaz de descrevê-lo (talvez porque não importe).
Contudo,
na pele da minha mão permanece para sempre o estremecimento provocado pelo toque dos teus dedos
e, nos lábios, o sabor do beijo de despedida que, dolorosa e estupidamente (sei-o agora) consegui evitar.
Sinto ainda a deliciosa sensação do afogamento dos meus olhos nos teus (e, apesar de tudo, acho que também te afogaste um pouco) e revejo o minuto, em que, enebriada pelo momento, finalmente me enchi de coragem e te sussurrei ao ouvido "Sabes o que me aconteceu, não sabes?".
Para sempre também guardarei a mudez da tua resposta, com a qual elouquentemente me confirmaste que, se pudesses, se não fosse já tarde demais, também tu me amarias...
... e é com essa certeza que hoje adormecerei e talvez te reencontre.
tina
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